Nos rincões do sertão entre Pernambuco e Paraíba reza a lenda: quem bebe da água do Rio Pajeú, vira poeta. Definindo o cotidiano das pessoas, nas festas, residências, nos mercados, relembrando histórias de cantorias, em grandes respostas poéticas e dissertando sobre o sentimento, a poesia é onipresente e primordial. E é ela a protagonista em O Silêncio da Noite é que tem sido Testemunha das Minhas Amarguras. Antes da estreia nacional dia 15 de março,o filme passa por São José do Egito, com exibição especial,sexta-feira, 09.03, às 19h, na Escola Nana Patriota. A sessão faz parte das homenagens ao aniversário da cidade e será seguida de debate com o diretor do filme, Petrônio Lorena.
O evento tem o apoio da Secretaria de Cultura, Turismo e Esportes de São José do Egito.
Finalista entre os dez melhores filmes da 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo - São Paulo, SP (2016), o longa foi rodado nas cidades de Ouro Velho e Prata (PB) e da própria São José do Egito, tomada como berço imortal da poesia. O documentário passeia pela região, revelando a tradição herdada por várias gerações, vidas pautadas pela poesia e a peculiar e orgulhosa prática diária de poetas, sonetistas, cantadores e violeiros que fazem de métricas e rimas disciplinadas um modo de vida.
O Silêncio da Noite é a segunda produção em longa-metragem de Petrônio Lorena (deO Gigantesco Imã), diretor e também compositor e produtor musical para trilhas. Nascido em Serra Talhada, desde a infância se interessava pela poesia, pela composição de músicas, sempre em contato com os poetas da região. Em 2010 deu o impulso inicial, realizando um profundo trabalho de pesquisa e de desenvolvimento de roteiro, apoiado pelo Funcultura. Filmou aos poucos, em muitas idas ao sertão, até 2015.
A distribuição do longa, realizada pela Inquieta Cine, conta também com financiamento do Funcultura, junto com o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA).
“O que eu acho mais legítimo do documentarista é sempre voltar àquilo no qual está trabalhando, criar um envolvimento. Eu sempre retornava à região. Esse envolvimento fez com que a poesia, que já estava presente, entrasse mais ainda dentro de mim; não a métrica, não o saber fazer poético, mas o sentimento. Lá tem muitos que dizem:‘o verdadeiro poeta é o outro’. E o outro é aquele que sente. Então o verdadeiro poeta é o quesente, o que foi transformado”,explica o diretor Petrônio Lorena.
A taciturna frase que dá nome ao filme faz alusão a um poema, cuja autora é uma das figuras mais interessantes retratadasno longa: Severina Branca, dita a “Eleonor Rigby do Nordeste”. Musa e prostituta, poetisa e boêmia, Severinaencantava os poetas da região, dando-lhes ‘motes’ rebuscadíssimos, cantados por eles, falando não apenas da vida dela, mas das amarguras de ser poeta. “O título refere-se também à dor e à alegria de ser poeta;da cumplicidade da madrugada na criação desses versos num sertão conservador e da utilidade social que a poesia traz a essas pessoas”, completa Petrônio.
"Meus filhos são passarinhos/ Que vivem dos meus gorjeios/ Eu para encher os seus papos/ Cato grãos em chãos alheios/ E só boto um grão no meu/ Quando vejo os deles cheios."
(Louro)
“Se a coruja é minha companheira
O relógio se marca meia-noite
Ela sai pra fazer o seu açoite
Sai de dentro da sua cumeeira
Me acompanha entremeio
A fumaceira de uma neve que cai pela cidade
E o fantasma cinzento da saudade
Sai de dentro das furnas mais escuras
Onde existem tamanhas rachaduras
Que o tempo marcou sem ter pedido
Que o silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras”
(Severina Branca)
"Dizem que à princípio/ O caos pesou/ E a luz surgiu do choque das camadas/ Tais narrativas são falsificadas/ Não há quem saiba como começou/ Se as massas foram impulsionadas/ Tem uma força que as impulsionou/ Pergunto eu por quem foram tocadas/ E fico como um sábio uma vez ficou/ Celula, ovo, do nada em transição/ Gameta de pequena evolução/ Crepúsculo de caótica procedência/ Originária da microssomia/ Desenvolvendo a macrossometria/ Da monstruosidade da existência."
(Biu de Crisanto)
Trailer: https://vimeo.com/257924297
IG: @osilenciodanoitefilme
O diretor
Formado em Radialismo, Petrônio Lorena, é diretor de curtas de 35mm premiados como “Santa Helena em Os Phantasmas da Botija” (2004), "O som da Luz do Trovão"(2005)- ambos co-dirigidos por Tiago Scorza – “Faço de Mim o que quero”, co-dirigido por Sérgio Oliveira; e da ficção “Calma Monga, Calma!” (2011)
Em 2014, estreia seu primeiro longa-metragem com “O Gigantesco Imã”, co-dirigido também por Tiago Scorza. Atua também como roteirista, produtor, compositor, músico e produtor musical de trilhas para cinema.
SERVIÇO
Circuito Alternativo no Interior de PE & Debates com o diretor
(7 a 12 de março) em:
07/03 - Arcoverde
Local: Área externa da Estação da Cultura - Av. Zeferino Galvão, 119 - Santa Luzia
Hora sessão: 20h - Debate: 21h20
Apoio: Secretaria de Cultura e Comunicação da Prefeitura de Arcoverde, Estação da Cultura e Cineclube Locomotivo
08/03 - Belo Jardim - Sessão especial para celebrar o dia da mulher
Local: Cine Teatro Cultura - Praça Jorge Aleixo, s/n – Centro.
Hora evento: 18h30/ Exibição: 19h00 / Debate: 20h20
Apoio: Instituto Conceição Moura e Cine Teatro Cultura
09/03 - São José do Egito - Sessão especial aniversário da cidade
Local: Escola Nana Patriota - R. Vinte e Cinco de Agosto, s/n – Centro.
Hora exibição: 19h / Debate: 20h20
Apoio: Secretaria de Cultura, Turismo e Esportes de São José do Egito
10/03 – Triunfo – Evento especial "À liga, mulhé!" (Coletivo Pantim em parceria com o movimento de mulheres feministas do sertão)
Local: Cine Teatro Guarany - Praça Carolino Campos, s/n, Centro.
Hora exibição: 15h / Debate com Petrônio: 17h
11/03 - Serra Talhada– Cidade natal do diretor
Local: Centro de Artes e Esportes Unificados - Céu das Artes - Av. Olímpio de Menezes Leal, s/n - Caxixola
Hora: 19h15/ Debate logo após a sessão
Apoio: Fundação Cultural de Serra Talhada
12/03 - Caruaru
Local: Auditório Mestre Vitalino - Rodovia BR-104, Km 59, s/n - Nova Caruaru
Hora exibição: 18h30 / Debate: 20h
Apoio: Centro Acadêmico do Agreste
Estreia Nacional – dia 15 de março nos seguintes cinemas:
Recife (PE) - Cinema do Museu
Serra Talhada (PE) - Cine Pajeú
João Pessoa (PB) - Cine Banguê
Curitiba (PR) - Cine Guarani e Cinemateca
Rio Branco (AC) - Cine Teatro
São Luis (MA) - Cine Lume
São Paulo (SP) – Belas Artes
Vitória (ES) – Cine Metropolis
Maceió (AL) – Cine Art Pajuçara (data a definir)
29 de março – Goiânia (GO)


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